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| | Jacques, o Fatalista, | | e o seu amo | | Denis Diderot | | «Para dizer a verdade, não gosto tanto do século XVIII como gosto de Diderot. E, para ser ainda mais sincero, gosto dos seus romances. E, ainda mais precisamente, gosto de "Jacques, o Fatalista". A verdadeira grandeza deste romance só pode ser avaliada quando equiparado ao "Dom Quixote" ou ao "Ulisses". Este romance é uma explosão de liberdade impertinente sem autocensura e de erotismo sem álibis sentimentais.», Milan Kundera | | PRÉMIO DE INOVAÇÃO (LER / BOOKTAILORS) | | |
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«(...) Que é que impede a estabilização da verdade? Acima de tudo, o prazer de falar. Esse prazer pode ser uma verdadeira paixão. E tem uma característica – não olha a obstáculos: “Não há gente que mais goste de falar que os gagos, não há gente que mais goste de andar que os coxos.” Falar, conversar. Porque a conversa tem uma característica absolutamente extraordinária: ao mesmo tempo que reúne tudo, dispersa tudo. A conversa dispara em todas as direcções, a gente atravessa-a com o fio de uma ideia, mas a ideia vai-se disseminando no decurso da travessia. E a dada altura, como se explica logo nas primeiras linhas deste livro, ninguém sabe para onde vai nem donde vem, nem em que ponto é que está. (...) Trata-se de amar as palavras naquilo que elas têm de desajustamento em relação à realidade, e de compreender que essa realidade se transforma à medida que nós usamos as palavras em configurações diferentes. Trata-se de perceber que as palavras não servem apenas para referenciar a realidade, mas também, e sobretudo, para gerir distâncias (é essa a verdadeira definição da retórica) e para aproximar ou afastar as pessoas. Trata-se ainda de não pretender privilegiar apenas o que é útil, mas de ver até que ponto o inútil é tão útil como o útil (ou, se preferirem, o útil é tão inútil como o inútil). E é tudo isto que nos prende apaixonadamente à longa digressão que é este livro. Sentido de perder tempo, evidentemente. Mas sentido também de ir ao encontro do prazer do tempo perdido. (...) Em “Jacques, o Fatalista”, Diderot fala, conversa, dança com as palavras, traça figuras de uma coreografia arrebatadora. Diderot não nos deixa repousar um minuto: as personagens saltam, desaparecem, morrem, amam, enganam-se, agridem, ressuscitam, e tudo se processa numa agilidade e desenvoltura absolutamente surpreendentes. (...) O essencial não está, portanto, na estabilização, mas num valor precisamente oposto: na velocidade com que o jogo continua a ser jogado.»
Eduardo Prado Coelho, «Prefácio»
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tema(s): Literatura de Humor Ficção Humor tradução: Pedro Tamen prefácio: Eduardo Prado Coelho coordenação: Ricardo Araújo Pereira 1.ª edição: Setembro de 2009 n.º de páginas: 296 formato: 14x21 cm isbn: 9789896710101 | |