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Martha Gellhorn

Martha Gellhorn (1908‑1998) publicou cinco romances, catorze novelas e duas antologias de contos. Queria ficar para a História primeiramente como romancista, mas é recordada pela maioria das pessoas como impressionante correspondente de guerra e por algo que a deixava fula: o breve casamento com Ernest Hemingway durante a Segunda Guerra Mundial. Martha Gellhorn não tinha a mínima intenção de ser uma nota de rodapé na vida de outra pessoa, e tudo indica que assim não será. Desde a sua morte, já foram publicadas duas biografias da autora.
Enquanto correspondente de guerra, cobriu praticamente todos os grandes conflitos do século XX, desde a Guerra Civil Espanhola à invasão do Panamá pelos EUA em 1989. Para uma mulher, era um trabalho completamente inovador, e ela levou‑o a cabo assumindo um compromisso absoluto com a verdade. «Todos os políticos são chatos, mentirosos e falsos. Eu falo com pessoas», disse ela, ao explicar o seu interesse pelas vítimas civis da guerra, as baixas que não têm visibilidade. Martha Gellhorn foi uma das grandes correspondentes de guerra, uma das testemunhas mais importantes do século XX.
A vida de Gellhorn enquanto correspondente de guerra é bem ilustrada por dois incidentes. Depois de Hemingway lhe roubar a acreditação, Gellhorn embarcou clandestinamente num navio‑hospital a 7 de Junho de 1944 e andou a recolher feridos durante a invasão da Normandia; além disso, os militares americanos fizeram com que o visto para regressar ao Vietname lhe fosse recusado, de tão enfurecidos que estavam com as reportagens que ela fazia para o The Guardian.
Era uma mulher de opiniões fortes e possuía uma energia incrível. Embora se tenha recusado a cobrir a guerra da Bósnia quando já era octogenária, com a explicação de que já não tinha agilidade para isso, aos 87 anos foi para o Brasil fazer pesquisa e escrever um artigo sobre o homicídio de crianças de rua. Dactilografava mais por tacto, pois já via mal, e era impelida por uma compaixão pelos mais fracos e por uma curiosidade que a velhice não conseguiu esbater.
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