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José Carlos Fernandes

José Carlos Fernandes nasceu em 1964 em Loulé. Não tem qualquer formação artística. Tem, como tantos portugueses, um diploma que atesta que é licenciado em engenharia (neste caso particular, do ambiente). As primeiras incursões no desenho e na BD, estritamente autodidácticas, datam de fins de 1989, mas só em 1999 se aventurou a dedicar-se a tempo inteiro à vasta e incerta galáxia que as Finanças englobam sob o código 92312: «Outras actividades artísticas & literárias», onde coexistem as palestras sobre dinâmica de grupo realizadas por treinadores de futebol para quadros de empresas e os livros que desvendam a intimidade dos dirigentes desportivos e fazem revelações sensacionais sobre a corrupção no futebol. JCF tem feito coisas bem diversas classificáveis ao abrigo do código 92312, mas nenhuma das duas atrás mencionadas.
Não se tem inspirado na sua vida pessoal nem em «casos reais» e, exceptuando algumas pilhagens a Ray Bradbury e Gabriel García Márquez, no início de carreira, e duas colaborações com João Miguel Lameiras e João Ramalho Santos, os argumentos das suas BDs são apenas atribuíveis às suas tortuosas circunvoluções encefálicas e a um regime de leituras desregrado e bulímico.
A série «A Pior Banda do Mundo» (que conta com 6 volumes) é o mais conhecido dos seus trabalhos e está traduzida em espanhol, polaco e basco. Há quem gostasse de vê-la também traduzida em português, pois repetem-se as queixas de que é incompreensível e esdrúxula e recorre a vocabulário arcaico, sintaxe arrevesada e tom gongórico.
JCF tem vindo a escrever argumentos para outros desenhadores, como Luís Henriques, Miguel Rocha, Roberto Gomes, Susa Monteiro, Manuel García Iglesias, com os quais tem vindo a desenvolver as séries «Black Box Stories», «Terra Incognita» e «O que está escrito nas estrelas». A sua obra tem sido objecto de várias exposições individuais e colectivas, quer em Portugal quer no estrangeiro (França, Espanha, Polónia, Roménia, Brasil, Uruguai).
JCF obteve por três vezes o Prémio Rafael Bordalo Pinheiro, atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa (1991, 1993 e 1995), e recebeu o 1.º Prémio nos concursos de BD de Matosinhos e de Ourense (ambos em 1995). No ano 2000, recebeu uma Bolsa de Criação Literária do Ministério da Cultura (IPLB), referente ao projecto «O Museu Nacional do Acessório e do Irrelevante». Com «A última obra-prima de Aaron Slobodj», JCF recebeu o prémio de melhor argumento e prémio juventude FIBDA 2005. Com a obra «José Carlos Fernandes: antologia 1992-2005» recebeu o Troféu Centralcomics 2006 para melhor álbum nacional. «Black Box Stories vol. 1» foi galardoado com os prémios FIBDA 2007 para melhor álbum nacional, melhor argumento nacional, melhor desenho nacional e prémio juventude.
Livros deste autor
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