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Margarida Marante

(1959 - 2012)

«Na sua última grande entrevista, em 2010, ao "Expresso", disse ter saudades do jornalismo. "Da maneira como o fiz", acrescentou. Começou muito cedo a fazê-lo, isso que foi o que fez. Aos 17 anos, estudante de direito na Católica, bate à porta da revista semanal "Opção" e do seu director e fundador Artur Portela (que fundara também, logo em 1975, o "Jornal Novo"). A revista é de esquerda mas aceita a menina da Avenida de Roma, filha e neta única mimada, de formação católica e aparência senhoril ("Tentava disfarçar a minha juventude. Procurava passar uma imagem de pessoa mais velha e tinha um modo de vestir muito conservador."), como estagiária. A "Opção" acaba e Margarida segue para o semanário "Tempo", de Nuno Rocha, bem mais à direita. E daí para a RTP, onde entra, em 1978, por concurso público, para a informação do segundo canal. Passa pouco depois para o Canal 1, para a reportagem política. O salto para o género que a notabilizou, a grande entrevista, vem através de Daniel Proença de Carvalho (então à frente da TV pública), aos 21 anos. É provavelmente a mais nova jornalista de sempre, antes e depois, a questionar, "one to one", em horário nobre televisivo, os protagonistas políticos do seu tempo - num tempo que caracterizou como "muito especial, em que se fazia a consolidação e estruturação do regime, (...) uma fase muito substantiva da vida política".
Acumulando o trabalho com os estudos – que prolongou numa pós-graduação em direito comunitário e numa especialização em jornalismo nos EUA, entre 1983 e 1985 – faz ainda um pezinho na política: inscrita no PPD passado um mês da sua fundação, em 1974, aos 15 anos, com Francisco Pinto Balsemão como proponente, por um triz não é deputada, num tempo em que a acumulação com o jornalismo se aceita perfeitamente. Em 1980, falha a reportagem do acidente que vitima Sá Carneiro: "Quando cheguei e vi o amontoado de corpos e tanta água pedi para ser substituída. Não era capaz de ser imparcial." O desaparecimento do fundador - curiosamente o único dirigente partidário da época que nunca entrevistou a sós – determina-lhe o afastamento do partido, com "um sentimento de orfandade".
O primeiro prémio de jornalismo chega-lhe com uma grande reportagem sobre maus tratos de menores, ainda na RTP (em 1991, recebe, com Miguel Sousa Tavares, o prémio Gazeta de Mérito). Pouco depois, o director-geral da estação, José Eduardo Moniz, decide despedi-la, ao fim de 12 anos de casa, assim como a Maria Elisa Domingues e Maria Antónia Palla. O motivo alegado é o facto de acumularem o trabalho na TV pública com cargos nas recém-fundadas revistas femininas (ela como directora da "Elle" desde 1989, Maria Elisa na mesma posição na "Marie Claire" e Palla chefiando a redacção da "Máxima"). Numa altura em que só existia uma estação de TV em Portugal, o despedimento significava, como Margarida frisa na entrevista citada, "tirar-nos a hipótese de fazer televisão". As três jornalistas levam o caso a tribunal. Todas ganham. Mas, ao contrário de Maria Elisa, que exige a reintegração, Margarida, que entretanto voltara à advocacia (no mesmo ano em que foi despedida da RTP também saiu da "Elle") decide não o fazer, iniciando em 1991 uma colaboração com a recém-criada estação de rádio TSF e com o semanário "Expresso". No ano seguinte, 1992, faz parte da equipa fundadora da SIC, a primeira TV privada a abrir em Portugal, propriedade da Impresa de Balsemão. Aí, até 2001, altura em que sai em ruptura com a administração, dirige e é pivô de vários programas de actualidade política – um dos quais, "Crossfire", em co-autoria com Miguel Sousa Tavares –, incluindo "Sete à Sexta" e "Conta Corrente", sendo líder de audiências e premiada com um Globo de Ouro por "Esta Semana", que esteve no ar de 1996 a 2000 e no qual se concentra em temas sociais. No seu último ano na SIC, modera ainda um debate semanal com Proença de Carvalho, Paulo Portas e José Sócrates. Não voltará à televisão, a nenhuma televisão. Em 2003, regressa à TSF para um programa de entrevistas, género com que contribui também, até 2004, para a "Notícias Magazine" (revista dominical apensa ao "Diário de Notícias" e ao "Jornal de Notícias"). Com o aparecimento do semanário "Sol" (fundado em Setembro de 2006), publicará, até Março de 2009, uma entrevista/perfil de protagonistas da actualidade política. Entre 2009 e 2010, é directora de Comunicação da AMI – Assistência Médica Internacional. Nos últimos dois anos, regressa ao jornalismo com o projecto "Portugueses da América". Será o derradeiro.» - Fernanda Câncio
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