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Rabelais

Em finais do século XIX, o mais prolífero autor português de livros licenciosos foi «Rabelais», vulgarmente confundido, nos catálogos das bibliotecas, com o reputado escritor francês do século XVI.
«Rabelais» é o pseudónimo de Joaquim Alfredo Gallis, que nasceu em Lisboa em 1859 e morreu a 24 de Novembro de 1910. Foi administrador do concelho do Barreiro entre 1901 e 1905. Escritor e jornalista, exerceu o cargo de escrivão da Corporação dos Pilotos da Barra de Lisboa, onde conheceu o rei D. Carlos, com quem mantinha boas relações. Era secretário do governo civil de Lisboa quando ocorreu a mudança de regime, em 1910.
Estreou-se no jornal «Instituições», em 1879. Colaborou em «Tempo», «Universal», «Jornal do Comércio», «Liberal», «Ecos da Avenida» e «Diário Popular». Escreveu os dois volumes que serviram de complemento à «História de Portugal» de Pinheiro Chagas, com o título «Um Reinado Trágico», datados de 1908 e 1909.
Autor de mais de quarenta títulos, quer de temática histórico-filosófica , quer de temática pornográfica, de «Rabelais» disse Brito Aranha, no «Dicionário Bibliográfico Português»: «Alfredo Gallis dispunha de uma individualidade própria e com mais alguma disciplina e ilustração poderia ter deixado um nome de destaque na literatura do seu tempo. Infelizmente a prodigalidade da sua produção e a vivacidade e crueza com que se comprazia em descrever as cenas mais escandalosas duma sociedade corrupta prejudicaram muito a sua obra. Vendo tudo sob o aspecto de um sensualismo exagerado, os tipos dos seus romances, traçados em geral com muita frieza, eram deformados pelos vícios mais repugnantes e a acção desses romances passava-se em geral nos meios mais depravados e desonestos.»
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